Recordações

mala

O gesto do meu marido em abrir uma pequena mala para procurar uns documentos agora pela manhã, me remeteu ao quarto dos meus pais na década de 1970. Mais precisamente à uma cena recorrente, quando eu ficava em pé ao lado do meu pai, enquanto ele abria uma mala antiga, quadrada, pesada, que ficava sempre numa prateleira baixa do guarda-roupa. De lá saiam coisas maravilhosas. Por volta de 1975, eu tinha todas as noites, estórias fantásticas que me transportavam para um castelo onde vivia uma bruxa ou para o pólo norte onde um urso sempre salvava a vida de um casal de idosos. Era de dentro da mala que surgiam documentos importantes compartilhados com minha mãe em reuniões na cozinha. Também um livro de exercícios que meu pai olhava atentamente para copiá-los todos os dias de manha. E ainda em 1984 – eu já com 14 anos- a mala surpreendia, quando de lá saiu o livro que me ensinou a redigir cartas comerciais. Foi assim por uma vida de muito amor. Até que um dia meu pai esvaziou a mala para eu fazer uma das aventuras mais longas da minha juventude. Ele a emprestaria para uma viagem de ônibus até o nordeste, comprovando a mim mesma que não ter dinheiro nunca poderia conter meus sonhos. A mala só esvaziou definitivamente quando mudamos de casa. Meu pai já havia partido, mas tudo que ela continha só mudou de lugar.
A meu pai, um grande homem, a quem sempre amei, admirei e me inspirei! Hoje e sempre…
Feliz Dia dos Pais a todos os pais, em especial, ao meu cunhado, Edson Medeiros, um pai que realmente admiro.

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