Chuva, amada e temida!

Chuva

A chuva nos dá odores, sons e cores inesquecíveis. É o cheiro gostoso que vem da terra quando a água encosta na grama, no barro, na lama, no tijolo quente, na parede da casa de madeira, na roupa seca, nos animais. É o barulho da batida no telhado e do escorrer na janela. É o arco-íris colorido cortando o céu, quando o sol reflete sobre as gotas.
Ah, a chuva! Ela também nos dá criatividade. Quando criança, recolhíamos tudo da rua e reinventávamos as brincadeiras. As cadeiras da mesa enfileiradas viravam ônibus, a bijuteria servia para brincar de passa anel e ainda tinha o jogo de ludo, as cartas, o dominó, as cinco marias… A chuva dá nome a comidinhas gostosas, como o bolinho de “chuva”, que deixa o café da tarde muito saboroso. E sem falar, o prazer que é tomar um banho de chuva. Quer mais? Banho de mar com chuva, água com água, doce e salgada. Amo!
Bem, eu ainda gosto da chuva. Mas sua sonoridade na minha vida foi mudando com o tempo. Hoje é menos poética. Quando chove em Blumenau (SC), onde moro, a preocupação me deixa mais surda e quase não aprecio o barulho da queda da água. Me deixa mais tensa e quase não sinto o cheiro da terra. Me deixa até indignada e vejo tudo em preto e branco. Aí a criatividade some!
Ela chega de mansinho em julho e se intensifica em agosto, setembro e outubro. Faz ameaças constantes à população da região. O rio se move como num balanço de criança. As águas sobem, as pessoas saem de casa e dão passagem ao líquido marrom que engole garagens, quartos, cozinhas com violência. A terra dos morros desliza como os papelões que usávamos sentados para escorregar nas encostas. Só que agora o grito de alegria daquela época, é muitas vezes, substituído pelo grito de dor.
Crescemos com esta situação por aqui. Os primeiros que chegaram na cidade também. Diz uma passagem na história da Hering: “Infelizmente mal começado o funcionamento da fábrica, teve que ser bruscamente interrompido em virtude da grande enchente de 1880”. Lembro de quantas críticas já ouvi em relação ao nordeste, que não se resolve a seca porque é o ganha pão e ganha votos de muitos políticos. E aí me pergunto: e a enchente aqui no sul? Por que não se resolve? Até quando a chuva será para mim e para muitos dos meus amigos, um evento da natureza, que em excesso, é temido. Nós não temos controle sobre a Terra. E tudo que fazemos a ela, fazemos a nós mesmos. No entanto, com certeza há soluções para diminuir, controlar e eliminar vários problemas que ainda maltratam a nós todos. Não somos mais crianças!

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