Chega de lamentações estéreis

Fiquei pasma com o artigo que leva o título acima, publicado na Veja de 11 de dezembro, e escrito pelo jornalista inglês John Carlin. As duas páginas reúnem uma sequencia de frases que me deixaram boquiaberta. O que ele afirma: “Não é absurdo argumentar que o dinheiro dos estádios poderia ser mais bem gasto em escolas, hospitais e no transporte público. Mas razão não é o ponto aqui”.

Como assim? O mundo é interligado, é uma teia viva e não tem como separar ações e reações, causas e consequências. Se não é a razão que também nos rege é o que? Este cidadão inglês parece não entender que os brasileiros, pelo menos uma grande parte, está farto dos abusos, da corrupção, dos altos impostos, de uma saúde miserável que maltrata a todos e a cada um, de um conjunto de problemas na educação que tornou-se permanente para não permitir a evolução deste país, de a cada chuva termos ruas alagadas, desmoronamentos, enchentes, de a cada estiagem ver a seca ressurgir e de muito mais. A Copa nos cansa ainda mais quando reúne estádios superfaturados, eventos de sorteio com valores absurdos, notícias sobre comunidades que foram “convidadas” a se retiraram para dar passagem à obras ou estradas. Nos revolta ver toda esta pré festa rolando enquanto há um outro lado maltratado, faminto e ignorante.

O que ele questiona: “Que concepção de vida humana é essa? Vivemos e morremos, o mundo está repleto de desapontamento, sofrimento e guerras, e , quando surge a oportunidade de fazer algo memorável e grande, algo que pode unir não apenas um país, mas toda a espécie humana, deixando uma feliz marca que permanecerá para sempre – …..- então certamente devemos aceitar isso com gratidão e alegria”.

Perfeito para ele, que como diz no final do artigo, vai se divertir. A Copa é sim uma oportunidade de diversão (para os gringos). A lona do circo reunirá personagens de todos os tipos. Mas quem circular por aqui vai ver o Brasil de hoje, que vai além do futebol, do samba, das praias e mulheres lindas. Os turistas poderão conferir de perto ao circularem pelas ruas. Basta sair dos circuitos turísticos. Além disso, as câmeras de TV do mundo estarão voltadas para esta parte da América mostrando os dribles dos craques, e quem sabe, vez ou outra, a dor do povo.

Agora, me pergunto: ao publicar este tipo de artigo de um jornalista inglês, há uma intenção clara em nos “REanimar” para a Copa? E mais: há uma preocupação com o comprometimento do espetáculo?

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