Nas terras do mundo real

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A maioria das pessoas não usa mais relógio. O tempo não tem mais atenção porque ninguém tem mais tem tempo de sobra. Pra que mesmo saber que horas são? Os compromissos até exigem uma olhada rápida nos dois dígitos (não ponteiros) do telefone celular, mas entre uma mensagem nova do Facebook ou do Whatsapp, perdeu-se o tempo da consulta à hora. Pronto! Está ela mais uma vez esquecida. Acredito que seja mais lembrada no horário de verão porque alegra alguns e traz desgosto a outros. Neste ritmo louco que pulsa a vida, quem nunca desejou parar os ponteiros? Ansiamos por controlá-los. Mas não conseguimos.
Uma alternativa para sentir que temos tempo é estar onde ele não nos apressa, não nos pressiona e principalmente onde barreiras invisíveis não deixam a tecnologia passar. É desta forma que ficamos desconectados do mundo virtual e mergulhados no mundo real. Ah, o mundo real! Pisei em suas terras recentemente numa pequena cidade chamada Dr. Pedrinho (SC) onde pude reanimar os cinco sentidos e colocar atenção plena na vida daquele momento.

Um recanto bucólico
Ao cruzar a porteira do Recanto da Oma (como os alemães chamam avó em Santa Catarina), à 11 quilômetros do centro de Doutor Pedrinho, você é transportado à uma outra época. O convite na abertura do site “Venha fazer parte desta família” torna-se real em cada gesto, em cada cantinho, em cada decoração e em cada palavra. Um bangalô enorme abriga o cheiro das flores e da grama verde ao lado, o canto dos pássaros, o frescor das árvores e um fogão a lenha, onde repousam comidas típicas (almoço e café colonial). Tudo feito com muito zelo pela família, que conta uma breve historia do local antes de você sentir o sabor da culinária alemã. No quintal dos fundos há árvores frutíferas, gansos, patos, marrecos, galinhas, coelhos. Na horta um espantalho (lindo!) afasta os pássaros e um esguicho giratório deixa tudo ainda mais verdinho. Um balanço alto te leva para longe do chão. No vai e vem, o mais importante é sentir o momento. Uma descida no meio de grandes árvores te conduz a uma das cachoeiras escondida entre pedras, como se não quisesse ser explorada. Quem decide se molhar, pode acomodar-se num tipo de assento bem abaixo da queda, recebendo uma massagem gelada, forte e revigorante. Há outras quatro cachoeiras próximas dali. Caminhar nestas terras é viver um pouco de uma vida mais simples, da boa mesa com prosa e sem pressa.

Ontem e hoje
Manter a vida assim também é um desafio para a família, que trabalha no fogão e na terra, no cuidado da casa e na criação dos animais, no plantio e na colheita. São tantas atividades, que parece que eles também não têm tempo. Então pergunto sobre a passagem dele por aqui.“Tão relativo falar em tempo ou falta de tempo. Para nós aqui no campo, o tempo não passa tão rápido, pois ainda nos permitimos conversar com outras pessoas e dar um simples bom dia para um desconhecido”, diz Ronald Czekus, um dos integrantes da família que gentilmente te recebe e se despede na porteira do Recanto.

História
Já está distante o ano de 1933 quando Franz Lingnau (bisavô de Ronald) partiu da Alemanha e chegou numa noite de luar nas terras que faziam parte do vale do rio Benedito Novo (SC), atual localidade Ribeirão Lima, na cidade de Doutor Pedrinho. Na chegada, ele e outros imigrantes já se sentiram em casa e nomearam o lugar de Heimat, que traduzido do alemão para o português quer dizer ”a cidade que guardamos no coração”. É com este amor por estas terras e com a garra do imigrante, que as gerações atuais trabalham no mesmo lugar e tentam manter a vida pulsando no mesmo ritmo. Vale a pena conhecer!

Recanto da Oma
Dr. Pedrinho
 Área de camping
 Passeio pelos arredores
 5 cachoeiras
 Comida típica (almoço e café colonial)
 Trilhas ecológicas
Visitas com agendamento.
http://www.recantodaoma.com.br/
Tel: 47 – 9987 3651

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