Sob trilhos

href=”https://ogostodavidareal.files.wordpress.com/2016/05/menina-e-o-trem.jpg”>menina e o trem

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A locomotiva 232, ten-wheel, a qual chamei carinhosamente de Maria-Fumaça, cruza a mesma região da cidade de Apiúna(SC) oito vezes, um domingo por mês. Embarquei com minha família e amigos, num domingo ensolarado de maio. Havia planejado esta viagem há muito tempo, mas somente agora pude realizar. A estação tem um vagão de madeira para a comercialização dos ingressos. Ao lado, algumas pessoas vendem artesanato local e peças do exército. A música alta vinda de um CD, relembrava os filmes de faroeste. Transportei-me para outro tempo.

O apito da partida despertou-me uma emoção profunda por estar ali com minha mãe. Enquanto ela relembrava em voz alta as viagens que havia feito de trem naquela região, quando criança, eu tentava imaginá-la com minha avó naquele tempo. O trajeto seria curto, apenas seis quilômetros. Num ritmo lento, dividia o olhar entre minha mãe – tentava adivinhar seus sentimentos – e o que a janela emoldurava. Para minha surpresa, o guia era o Luiz, que conheci há 20 anos na Hering, tempo em que ele já trabalhava voluntariamente pela reativação das ferrovias. Luiz passava as informações, enquanto a Maria-Fumaça se deslocava vagarosamente. Sempre achei muito romântico e confortável andar de trem. Era cômodo. E mais do que isso: era maravilhoso não estar na direção, no controle, no meio da pista cercada de automóveis. Eu era apenas passageira e podia desfrutar de tudo o que acontecia. Tirar fotos. Olhar cada detalhe. Apreciar paisagens. Conversar atenta ao outro. De repente, mais um apito alto e longo – piuipiuiiiiiii, anunciando sua passagem e convocando quem mora perto a sair de casa. Alguns acenavam, outros tiravam fotos. E de repente, surge correndo, uma menina linda. Chegou até perto da porteira do sítio e ficou olhando os vagões passarem. Não resisti. Cliquei e abanei. E ela retribuiu. Me emocionei. Queria saber da vida dela, ali, rodeada por trilhos e vagões. Olhei novamente para minha mãe. Falava de novo de sua infância e do trem. Me senti completamente num passado que não vivi, mas que com certeza, minha mãe nunca esqueceu.

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